Agência Pública

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Amazônia é uma ideia-lugar disputada por muitas mentes de ontem e de hoje. Essa mentes, além de repercutirem seus interesses na devastação desse território, perpetuam desigualdades por meio da estigmatização das mais diversas realidades (e mundos) presentes na região.





Encontrar uma Amazônia da cor de minha pele, diferente do que eu imaginava, me permitiu acessar lugares que nunca pensei existir.




Vivenciar esses lugares — esses muitos lugares — que constituem a Amazônia, me despertou a consciência das diversas formas de (in)visibilidade cultivadas nesse território, quase todas relacionadas aos povos originários, aos indígenas que vão sendo “apagados no tempo” pelos recém-chegados “pioneiros” — numa tentativa neocolonial de cristalizar um marco zero, posterior à história das origens da Amazônia.

Menino se banha nas águas do Vale do Guaporé

Fonte: Marcela Bonfim/Agência Pública

Neste imagem: Menino se banha nas águas do Vale do Guaporé

Uma marcante forma de “(in)visibilidade” ocorreu/ocorre no esteio de uma regionalização do Corpo Negro, a ponto de se tentar reforçar a ideia das “raízes negras” apenas restritas à região nordeste do Brasil.

Quilombola de Vila Bela

Fonte: Marcela Bonfim/Agência Pública

Neste imagem: Quilombola de Vila Bela

Tocar a presença e o legado das populações negras na Amazônia significa apropriarmo-nos de parte fundamental da história do Brasil, também submersa à escravização da humanidade dos corpos africanos, a partir da segunda metade do século 18, com o deslocamento em massa de populações de Vila Bela da Santíssima Trindade para o Vale do Guaporé, no período em que Rondônia ainda era território do Mato Grosso e do Amazonas. À época, tais deslocamentos populacionais serviam à estratégia de exploração do ouro e à construção do “Forte Príncipe da Beira” (RO), entendido como área de “defesa” das fronteiras territoriais.

Rezador de Alta Floresta

Fonte: Marcela Bonfim/Agência Pública

Neste imagem: Rezador de Alta Floresta

A partir de 1870, migrações negras passaram a modificar a região amazônica, principalmente, com a chegada das populações vindas do Pará, do Maranhão, Ceará, Bahia e outras localidades — período marcado pelo “Ciclo do Ouro” e “Ciclo da Borracha”.

Entre 1907 e 1912, trabalhadores da “diáspora barbadiana” contribuíram com mão de obra qualificada para a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e também colaboração para uma efetiva institucionalização de serviços relacionados à educação, saúde e outras políticas sociais na região.

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Dona Socorro, em Porto Velho, Rondônia

Fonte: Marcela Bonfim/Agência Pública

Neste imagem: Dona Socorro, em Porto Velho, Rondônia

Atualmente, novas diásporas se instalam na Amazônia, como a dos recém-chegados haitianos e venezuelanos.

Carol de Ana, descendente de imigrantes da Guiana Inglesa

Fonte: Marcela Bonfim/Agência Pública

Neste imagem: Carol de Ana, descendente de imigrantes da Guiana Inglesa


O acesso a estórias/histórias das inúmeras populações negras na Amazônia trouxe à tona a necessidade de ressignificação da própria história do negro no Brasil, uma vez que nos deparamos com uma série de contribuições e influências ainda não (re)conhecidas.


Hoje, prosseguir com o desvelamento e a circulação dessas estórias/histórias é um modo de não deixar de ver como o Corpo Negro fez/faz o Brasil, tal como ele é. E, sobretudo, tal como o Brasil poderá ser, quando admitir, reconhecer e valorizar suas raízes africanas.



Há uma Amazônia Negra, que são várias. No meu trabalho, tenho me encontrado com a Amazônia indígena e negra, cujo afeto-imagem-destino brota da terra.

Menino da comunidade ribeirinha de Nazaré, em Porto Velho

Fonte: Marcela Bonfim/Agência Pública

Neste imagem: Menino da comunidade ribeirinha de Nazaré, em Porto Velho

Projeto “(Re)conhecendo a Amazônia Negra”

O projeto “(Re)conhecendo a Amazônia Negra: povos, costumes e influências negras na floresta” é um instrumento de militância das artes visuais, no campo da antropologia visual, sobre a memória da população negra amazônica. Saiba mais.

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