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Em abril de 2016, antes do impeachment de Dilma Rousseff, a força-tarefa da Lava Jato já tinha em mãos uma delação que, dois anos depois, viria a prender o ex-presidente da República Michel Temer. É o que mostram as novas mensagens da chamada ‘Vaza Jato’, publicadas pelo jornal El País nesta sexta-feira 18.

De acordo com as mensagens, a delação foi rejeitada pelos procuradores de Curitiba, Brasília e Rio de Janeiro de forma sistemática nos momentos pré-impeachment. Na época, Temer era um dos articuladores da destituição de Dilma Rousseff.

A delação do empreiteiro José Antunes Sobrinho revelou um pagamento R$ 1 milhão em propinas da Engevix, empresa na qual é sócio, nas mãos do coronel João Baptista Lima Filho, que entregou o dinheiro ao ex-presidente. O valor seria um acordo por um contrato na usina nuclear Angra 3 e saiu do caixa da Alúmi, uma companhia prestadora de serviços do Aeroporto de Brasília, controlado pela Engevix na época.

O relato não pareceu conclusivo aos procuradores, que interpretaram que os advogados estavam “[…] tentando jogar c “anexos bomba” aos 45 do segundo tempo”, escreveu Athayde Ribeiro ao procurador Leonardo Cardoso de Freitas. Diante da negativa, os advogados de Antunes pediram que os relatos do cliente não fossem utilizados contra ele no futuro, já que era o Ministério Público que não estava fechando um acordo.

Em entrevista ao El País, o ex-procurador geral da República, Rodrigo Janot, declarou que as provas não eram consistentes para insistir na denúncia. ““Você acha que o Supremo ia me autorizar a investigar o vice-presidente da República com algo que não era consistente?”, disse.

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No entanto, em maio de 2017, as conversas de Temer com o empresário Joesley Batista vieram à tona e trouxeram a desconfiança de que havia articulação do então presidente para recolher propinas do setor portuário. A delação da Engevix, nesse caso, voltou a fazer sentido. José Antunes Sobrinho fechou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal apenas em junho de 2018.

Em fevereiro de 2019, Michel Temer já estava sem o foro privilegiado e, por isso, o caso foi distribuído para o juiz Marcelo Bretas, da Lava Jato do Rio de Janeiro. Após novo depoimento que reiterou o que disse no passado – sobre a propina de R$ 1 milhão -, Temer foi preso preventivamente em março. Ele saiu da cadeia em menos de uma semana e, hoje, responde em liberdade ao processo.

Em resposta à reportagem, a força-tarefa da Lava Jato respondeu que, nas delações, eles “participam das negociações e opinam, mas a palavra final é do procurador-geral.”

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