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A apresentação da denúncia contra o ex-presidente Lula no caso do sitio de Atibaia foi liberada estrategicamente, pelos procuradores da Operação, para ser “distração” e “mostrar serviço” em meio a polêmicas que envolviam o ex-presidente Michel Temer o ex-procurador geral da República Rodrigo Janot. O timing foi revelado a partir de mensagens obtidas no Telegram pelo site The Intercept Brasil.

De acordo com a reportagem, a força-tarefa já tinha a denúncia contra Lula em mãos uma semana antes da divulgação que foi feita. O coordenador Deltan Dallagnol avaliou que o caso seria “engolido por outros fatos”, referindo-se ao vazamento de áudio que mostrou como Temer deu um aval para que o dono da JBS comprasse o silêncio do deputado Eduardo Cunha (MDB), ex-presidente da Câmara dos Deputados.

A força-tarefa da Lava Jato, no entanto, passou a acompanhar a repercussão do áudio com cuidado. Havia questionamentos sobre uma possível edição do conteúdo veiculado e, também, um risco à imagem da Operação por conta do ex-procurador Marcello Miller. Ele havia trabalhado diretamente com Rodrigo Janot e com a Lava Jato, e tinha sido contratado pelo escritório que tratava dos acordos de leniência (“delação premiada” de empresas) da JBS, a Trench Rossi Watanabe.

 

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Deltan Dallagnol foi até Janot no chat privado no sábado, dia 20 de maio, e afirmou que a correlação de Miller e a JBS, nesse momento, seria uma “intensa guerra de comunicação” para a integridade da Operação Lava Jato. Mesmo assim, mostrou-se atencioso e até deu dicas para Janopt conceder uma entrevista ao Jornal Nacional. “Eu creio que um pronunciamento seu em vídeo ou exclusiva no JN seria muito pertinente e daria o tom para nós todos.”

No dia 21 de maio, domingo, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima fez a jogada: “Quem sabe não seja hora de soltar a denúncia do Lula. Assim criamos alguma coisa até o laudo.”, escreveu, referindo-se à perícia da Polícia Federal no vazamento da conversa de Temer.

Dallagnol animou-se: “Acho que a hora tá ficando boa tb. Vou checar se tem operação em BSB [Brasília], que se tiver vai roubar toda a atenção”. Logo após ter confirmado com o chefe da Lava Jato de Brasília sobre a ausência de novas fases naquela semana, ele anunciou que a denúncia contra Lula poderia ser liberada. Carlos Santos Lima cravou: “Vamos criar distração e mostrar serviço.”

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou sentenciado a 12 anos e 11 meses no processo que envolve o sítio de Atibaia em fevereiro de 2019. A decisão é baseada em denúncia do Ministério Público Federal contra o petista por corrupção e lavagem de dinheiro relacionada a obras do sítio Santa Bárbara, que ele frequentava com a família. A defesa do petista recorre na segunda instância.

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