GGN / Luis Nassif

Clique para compartilhar o link do texto original

A pesquisa sobre as vendas de Natal pela Alshop (Associação dos Lojistas de Shoppings Centers) tem todos os ingredientes de um embuste estatístico.

Qualquer pesquisa séria divulga o relatório com as questões colocadas e os microdados. Por exemplo, nesses 9,5% de crescimento nominal das vendas e 7,5% de crescimento real, qual o percentual em roupas e calçados, móveis, eletrônicos etc.

Informaria também sobre o universo pesquisado. A Alshop diz que foi por amostragem. Amostragem tem que guardar proporcionalidade entre regiões e nível sócio-econômico dos clientes.

Tente encontrar qualquer vestígio da pesquisa no portal da Alshop

https://www.alshop.com.br/portal/

Há uma página de Pesquisas

https://alshop.com.br/pesquisa.asp

Nela, só aparecem números da quantidade de shoppings e de lojas associadas. Nada mais.

Há números jogados ao leo sobre o volume de vendas dos shoppings.

Confira os dados de 2018. Chutou um crescimento de 6% sobre 2017 e atribuiu a um quadro econômico melhor e à confiança do consumidor.

Segundo a Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE, o comportamento do setor em 2018 foi assim:

[...]

 

Se os dados da Alshop estão corretos, a única explicação razoável é o aumento da quantidade de shoppings associados. O que isto teria a ver com a melhoria das perspectivas dos consumidores? No caso, ocorreu apenas a mudança do local de consumo.

Vamos aos dados de 2018.

Segundo reportagem de hoje de Folha, a metodologia da pesquisa consiste no seguinte:

“A Alshop divulga esses dados há mais de 10 anos, todo dia 26 de dezembro. Conversamos com lojistas de grandes e médias redes, fazemos uma balanço e dentro disso uma amostragem de expectativa do ano”, diz o presidente Nabil Sahyoun. Ele afirma que são consultadas 400 empresas que representam 30 mil pontos de venda.

Segundo os críticos, não se conhece um lojista que tenha respondido ao questionário da Alshop. E a Alshop promete mostrar os dados apenas em um ponto qualquer do futuro.

Segundo o IBGE, dos principais setores que representam faturamento dos shoppings, apenas móveis e eletrodoméstico apresentaram alta, mas até outubro. Em setembro foram liberados recursos de PIS-Pasep e FGTS, além de um evento de promoção de vendas pelo governo, que não se repetiu nos meses seguintes.

Como as pesquisas da Alshop se referem apenas ao Natal, seria impossível a repetição do mesmo percentual de vendas de móveis e eletrodomésticos dois meses depois.

Repare que os hipermercados (sem alimentos e sem cigarro), que é o setor mais próximo da estrutura de produtos dos shoppings centers, até outubro a alta havia sido de apenas 2,1%

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

Leia o texto completo em GGN / Luis Nassif