GGN / Luis Nassif

Clique para compartilhar o link do texto original

Gestão do PSDB indenizou empreiteiras em R$ 22 milhões por obra inconclusiva

Caso é investigado em uma CPI da Assembleia Legislativa de São Paulo, sobre suspeitas de pagamentos de propina em obras da Furp

Foto: Governo do Estado de SP/Divulgação

Jornal GGN – A gestão PSDB no Estado de São Paulo aceitou, em setembro de 2013, pagar indenização milionária para um consórcio liderado pela Camargo Corrêa, responsável pela obra de uma fábrica de remédios populares, contratada pela estatal Furp (Fundação para o Remédio Popular).

O empreendimento foi construído em Américo Brasiliense, interior de São Paulo. A contratação do consórcio aconteceu em novembro de 2005, no segundo mandato do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). A fábrica foi inaugurada em 2009, na gestão do então governador José Serra (PSDB).

Apesar da inauguração, o consórcio não foi encerrado. Demorou, na verdade, seis anos para isso acontecer. Durante o processo de construção, o valor inicial orçado para a obra passou de R$ 124 milhões para R$ 155 milhões, por causa de aditivos ao contrato.

O consórcio chegou a entrar na Justiça alegando prejuízos que tiveram na obra. Em setembro de 2013, durante a terceira gestão de Geraldo Alckmin, a juíza Ana Rita Figueiredo Nery atendeu ao pedido, determinando que o Estado indenizasse em mais de R$ 14 milhões (R$ 22 milhões hoje) o grupo de empreiteiras. A gestão psdebista não se defendeu, apesar de ter sido citada duas vezes, e também não recorreu da determinação.

[...]

O caso é investigado em uma CPI da Assembleia Legislativa de São Paulo, sobre suspeitas de pagamentos de propina em obras da Furp. A fábrica construída em Américo Brasiliense também é alvo de delações de dois ex-executivos da Camargo Corrêa: Corrêa Martins Wende e Emílio Eugênio Auler Neto. Segundo eles, as obras foram usadas para pagamentos de propinas a agentes públicos.

Em 2017, os dois ex-executivos disseram aos promotores que o contrato de obra da fábrica entre as empreiteiras e o governo de São Paulo não era encerrado porque o suposto pagamento de propinas feitos a representantes do governo foram interrompidos, com o início da Operação Lava Jato. Segundo eles, os repasses duraram entre 2008 e 2013, nas gestões de Serra e Alckmin.

Segundo um email interno da Furp, obtido pelo jornal Folha de S.Paulo, em agosto de 2015 o governo estadual se reuniu com representantes do consórcio para tratarem de pendências da fábrica e cobrar a conclusão delas para encerrar o contrato, ou seja, seis anos após a inauguração em 2009 e quase dois anos após ter sido obrigado pela Justiça a indenizar o grupo.

O email diz que, em 2014, o governo chegou a enviar uma notificação extrajudicial ao consórcio para que resolvessem pendências, entre elas a instalação de equipamentos e de um sistema de manipulação de medicamentos. Ou seja, a fábrica estava inconclusa, mesmo após sua inauguração, cinco anos antes.

A mensagem era assinada pelo assessor técnico da Furp, Ricardo de Lima. “Existem diversas pendências técnicas para a instalação e qualificação dos equipamentos do sistema 6, conforme descrito na notificação extrajudicial”, escreveu. “O sistema [de manipulação de injetáveis] instalado pelo consórcio apresentou diversas pendências técnicas”, disse Lima em outro trecho do email.

*Com informações da Folha de S.Paulo

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

Leia o texto completo em GGN / Luis Nassif