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Guerra aos pobres – O Brasil, único no mundo, extingue o Ministério do Trabalho

por Andre Motta Araujo

Os Ministérios do Trabalho foram criados nos anos 30 e todos os grandes países do mundo mantém esse grande organismo, como protetor dos empregados, em contraponto aos Ministérios econômicos, que cuidam do capital e das empresas. São dois olhares completamente diferentes e os grandes países têm perfeita noção de que são funções e visões SEPARADAS E CONFRONTANTES, seria uma aberração um mesmo Ministro cuidar do capital e do trabalhador.

O FASCISMO CUIDAVA DOS POBRES

Benito Mussolini foi um dos pioneiros, no Século XX, na criação de legislação protetora dos trabalhadores. A “Carta del Lavoro”, promulgada em 1927, foi a base de outras legislações semelhantes, inclusive a do Brasil. O Partido Nazista tinha forte organização para o trabalho, a Frente Alemã para o Trabalho sob o comando de Robert Ley. A cúpula nazista tinha extremo cuidado com a vida dos trabalhadores alemães, sua base política desde o início.

Hitler construiu dois grandes transatlânticos para FÉRIAS de operários na Ilha da Madeira, antes da Guerra, um deles o celebre “Wilhelm Gustiloff”.

Os fascismos da Espanha e de Portugal, igualmente, tinham sólidas estruturas de proteção aos trabalhadores. No Brasil, Getulio Vargas criou, em 1930, ano de sua chegada ao poder, o Ministério do Trabalho, que desde então passou a ser peça-chave de sua política geral e econômica.

Na Argentina, o primeiro cargo público do Coronel Juan Domingo Peron foi o de Secretário do Trabalho e a base de toda sua política foi a proteção ao trabalhador. Nas grandes democracias europeias, o Ministério do Trabalho é um dos mais fortes postos dos gabinetes. Nos EUA, um peso pesado como George Shultz, Secretário de Estado do Presidente Bush, foi antes Secretário do Trabalho. Portanto é um cargo de forte densidade política em todos os grandes Países.

O QUE SIGNIFICA A EXTINÇÃO DO MINISTÉRIO DO TRABALHO

A lógica vem de uma ideologia neoliberal selvagem, completamente insana e fora de época, que considera que o trabalhador NÃO DEVE TER A PROTEÇÃO DO ESTADO no fim do dia. Ele deve negociar seu emprego na “economia de mercado”. Um rapaz de 20 anos, de educação precária, deve negociar com a AMBEV ou CASAS BAHIA, em paridade de condições como se fossem dois iguais. Parece uma loucura, mas eles pensam assim. A desproteção ao trabalho vai das leis que regulam a remuneração, a higiene do trabalho, as férias, tudo é negociável, pode não ter chegado ainda nesse ponto, mas essa é a linha de chegada.

Eles dão como exemplo a economia americana, MAS LÁ EXISTE UM FORTÍSSIMO DEPARTAMENTO DO TRABALHO. E daí? Faz de conta que não sabem.

[...]

Para criar o ambiente dessa luta contra o trabalho foi fundamental DEMONIZAR o Ministério do Trabalho, antro de comunistas corruptos, gente má.

A PASSIVIDADE DA ESQUERDA

Uma matéria dessa seriedade fez um ano e não se viu maior movimento dos partidos sociais democratas e de esquerda sobre esse esbulho contra o trabalhador. No Congresso se desconhecem manifestações dos partidos com raiz trabalhista. Na mídia passou batido, com elogios ao Ministro Guedes.

Não há hoje uma grande autoridade preocupada com o DESEMPREGO. Todo carinho às empresas para cortar seus custos de trabalho PORQUE ASSIM VÃO EMPREGAR MAIS. Pura LENDA, nada disso aconteceu ou vai acontecer, a empresa que tinha 1.000 empregados continua tendo os mesmos 1.000 OU MENOS, mas agora com custo mais barato, graças aos esforços do governo cuja meta é BAIXAR OS CUSTOS DO TRABALHO, tirando dos já mais pobres.

Tampouco se viram reações na academia, nas centrais sindicais, nos movimentos sociais, uma aberração dessas passou entre sorrisos. POBRE BRASIL!

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