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Jornal GGN – Morre nos Estados Unidos o cientista político, escritor e professor norte-americano Francis Fukuyama, aos 67 anos. O anúncio foi feito pelo sociólogo espanhol Manuel Castells em seu twitter.

Doutor em ciência política pela Universidade de Harvard, ele lecionava estudos internacionais na Universidade de Stanford, e foi professor de economia política internacional na Universidade Johns Hopkins. O estudioso foi uma figura importante no conservadorismo internacional, ao ser um dos ideólogos do governo Ronald Reagan e mentor intelectual da primeira-ministra britânica Margaret Thatcher.

Seu trabalho ficou mundialmente conhecido em 1989, com a publicação do artigo intitulado O Fim da História, que foi transformado no livro “O Fim da História e o Último Homem”, lançado em 1992 e traduzido para diversos idiomas.

Suas posições ideológicas foram contestadas por pensadores da esquerda desde o lançamento do livro, e Fukuyama acreditava que seu livro havia sido mal interpretado no meio intelectual.

Segundo ele, a democracia liberal tem três pilares: um Estado que concentra o poder e o usa para o bem dos cidadãos; a igualdade de todos perante a lei; e o uso de mecanismos de controle do poder, como eleições livres. Contudo, líderes populistas nacionalistas usam o terceiro mecanismo para tomar o poder e corroer os outros dois por dentro. Ou seja, a legitimidade do processo democrático transforma-se em arma contra a própria democracia.

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Ele começou a se distanciar da agenda neoconservadora durante o governo Bush, por conta de seu excessivo militarismo e defesa de uma intervenção armada unilateral, principalmente no Oriente Médio. Ao final de 2003, ele engrossou o coro de oposição à Guerra no Iraque, chegando a pedir pela demissão do então Secretário de Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld.

Em 2018, Fukuyama deu uma entrevista ao jornal Folha de São Paulo onde falou que acreditava na sobrevivência da democracia, mas que os riscos da ascensão de líderes populistas nacionalistas – como o presidente brasileiro Jair Bolsonaro – eram um sério risco para o sistema político e econômico difundido no Ocidente.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de o nacionalismo populista ser um risco para a política brasileira, Fukuyama foi incisivo: “Bolsonaro representa uma verdadeira ameaça à democracia. Subjacente a isso, há uma polarização social no Brasil, que transformou em luta ideológica o que começou como campanha anticorrupção”.

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