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“Querem me vincular à morte da Marielle? Seus patifes da TV Globo!”

Jair Bolsonaro perdeu a linha em transmissão ao vivo no Facebook, após o Jornal Nacional revelar que um dos suspeitos de executar Marielle Franco usou o nome do presidente para entrar no condomínio e buscar outro miliciano, horas antes do assassinato

Jornal GGN – Jair Bolsonaro foi pego de surpresa na noite desta terça-feira (29). O presidente fez uma pausa em sua viagem pela Arábia Saudita para fazer uma live no Facebook. Foram 52 minutos de revolta e ataques à TV Globo, que revelou que um dos suspeitos de executar Marielle Franco usou o nome do hoje presidente da República para entrar em seu condomínio e buscar outro miliciano que teria participado do assassinato poucas horas depois.

“Querer me vincular à morte da Marielle? Seus patifes da TV Globo! Canalhas! Não vai colar. Não devo nada a ninguém. Não tinha motivo nenhuma para matar quem quer que seja no Rio de Janeiro”, disparou Bolsonaro.

Sem mencionar nem por 1 segundo sua relação com os milicianos investigados, Bolsonaro insinuou que a Globo tenta criar um motivo para desestabilizar o governo e pressionar a sociedade a pedir seu afastamento, na esteira da crise no Chile e da derrota de Maurício Macri na Argentina.

“Nós estamos vendo problemas ocorrendo na América do Sul. É o Chile, é a eleição na Argentina. (…) Será que a Globo está criando uma narrativa de que eu deveria me afastar ou que as pessoas deveriam ir à rua pedir meu afastamento? (…) É o tempo todo isso. A mesma coisa o caso do Flávio [Bolsonaro, suspeito de operar esquema de rachadinha em seu antigo gabinete de deputado federal, no Rio].”

Bolsonaro ainda passou a transmissão ao vivo tentando convencer os seguidores de que as reportagens da Globo são uma “patifaria”, tudo feito para destruir o bem maior da família, que é o “combate à corrupção e a honestidade”. Ele ameaçou cassar a concessão da emissora durante o próximo processo de renovação, em 2022.

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“Vocês, TV Globo, o tempo todo infernizam minha vida, porra! Essa patifaria 24 horas por dia em cima da minha pessoa. Agora Marielle Franco? Se tivessem o mínimo de decência, saberiam que um processo em segredo de Justiça não tem que divulgar”, disse o presidente.

Ao final da transmissão, ele pediu desculpas por ter ficado alterado durante todo o vídeo, e defendeu que a Globo seja investigada por divulgar uma reportagem com base em processo sob sigilo.

O presidente também sustentou que a investigação sobre Marielle não deve ser federalizada, sob o argumento de que a Polícia Federal não conseguiu sequer descobrir “quem mandou matar Jair Bolsonaro”. “Tem que continuar no Rio, sim, mas tem que ter supervisão. Peço ao Conselho do Ministério Público que supervisione esse processo, o meu e o do Flávio, e vejam as ilegalidades”, suplicou.

A REPORTAGEM DA GLOBO

Na noite desta terça, o Jornal Nacional revelou que o ex-policial militar Élcio Queiroz entrou no condomínio de Jair Bolsonaro afirmando que iria se encontrar com o presidente, poucas horas antes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, em 14 de março de 2018.

O porteiro liberou a entrada, mas percebeu pelas câmeras de segurança que Queiroz, na verdade, se dirigiu a outra residência: a de Ronnie Lessa, o vizinho miliciano de Bolsonaro.

Queiroz e Lessa, então, embarcaram no mesmo carro e saíram do condomínio. De acordo com a reportagem, logo em seguida eles trocaram o veículo pelo que foi usado na morte de Marielle.

Apesar de o porteiro ter afirmado às autoridades que conversou com Bolsonaro pelo interfone, o hoje presidente tem provas de que estava em Brasília naquele dia.

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