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Enquanto a maior parte do público aproveita o Rock In Rio, no último dia 04, Enzo Valentino Oliva Tell, 27 anos, viu o que deveria ser um final de semana de festa virar uma sucessão de erros policiais e judiciários, ao melhor estilo da injustiça brasileira.

O engenheiro da área de Tecnologia da Informação é chileno e pisou pela primeira vez no Brasil no dia anterior. De São Paulo seguiu com alguns amigos de carro até o Rio de Janeiro para ver o festival. O grupo de aproximadamente quinze pessoas, em um misto de brasileiros e chilenos, ficaria apenas para os shows do dia 4. Mas a viagem teve de ser prolongada quando Enzo foi preso, acusado de roubar um celular durante a madrugada, no Rock In Rio.

De acordo com seu advogado, Carlos Alberto Meireles Torres, Enzo contou foi acusado durante uma confusão em um dos palcos de ter roubado o celular de uma mulher. Foi o suficiente para ser levado para a audiência na de custódia, na mesma noite, e ser preso preventivamente. Os traços de enzo, característicos da região andina, se aproximam do tipo padrão brasileiro de culpados: pele escura.

Na audiência sua defesa foi realizada por uma defensora publica que declarou nos autos “esta Defensora não conseguiu realizar entrevista a contento a fim de obter informações acerca de sua versão e nem sobre qualificação, dados familiares ou endereço”. A juíza Simone de Araujo Rolim, do Juizado do Torcedor e dos Grandes Eventos, no entanto justificou a necessidade da prisão para preservar “garantia da ordem pública” e assinalou que “até o momento não há comprovação de residência ou emprego lícito”. No documento é citada a necessidade de “ser comunicada sem tardar ‘sem demora’ ao Consulado”.

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Enzo, que trabalha com Tecnologia da Informação e mora no Chile, seguiu do evento para uma prisão provisória. Sua namorada, por meio de telefone comenta “ele é uma pessoa que gosta de ficar com a família e amigos. É claro para nós que é impossível que tenha roubado um celular, ele tem um celular caro, um Iphone”.

No dia 08 um desembargador do RJ concordou com a solicitação da defesa que pediu um Habeas Corpus (HC) “ainda que a autoridade judiciaria tenha conhecimento da língua do preso não lhe é lícita a conversa em seu idioma. Para tanto a lei impõe a necessidade de intérprete. Está patenteada a ilegalidade da prisão pela imputação de crime de furto”. Mas como já havia um HC correndo na justiça o desembargador entendeu não ter competência para o julgamento.

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