Jornalistas Livres

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Por José Roberto Torero*

Diário, ontem eu fiz uma coisa muito perigosa. Dei uma de espião!

Botei uma barba postiça, um boné e fui até a Escola Nacional Florestan Fernandes. Uma escola do MST. É que ia ter um jogo de futebol lá entre Amigos do Lula e do Chico Buarque X Amigos do MST, e eu quis aproveitar para ver como se comporta o inimigo.

Bom, tá na cara que a frequência do lugar era péssima. Estava cheio de esquerdófilos, ecocomunistas, vermelhopatas, barbudinhos e mulheres de cabelo colorido. E tinha uns famosos, como o Lula, que não tirava um chapéu, o Chico Buarque (ainda bem que ele não me reconheceu, senão ia implorar para eu assinar aquele diploma dele), o Xico Sá, o Chico César, o Chicão Frateschi e o Chico Diaz. Meu deus, como tinha chicos! Ainda bem que não dei esse nome pra nenhum filho meu!

O juiz foi aquele tal do Juca Kfuro. E também estava lá o tal do José Ultrajante.

O primeiro gol foi do Lula. De pênalti. Também, pudera, deixaram o Lula Livre! Se o juiz fosse o Moro, tinha expulsado o Nove Dedos antes do apito inicial.

Foi um jogo bem estranho, porque os dois times só atacavam pela esquerda. E os jogadores do MST não podiam ver um pedaço de campo que já iam lá ocupar. Eles tanto invadiram a área dos lulochiquistas que conseguiram empatar o jogo.

[...]

Depois a coisa ficou meio devagar. Mais de meia hora sem sair gol nenhum. Então, faltando três minutos para acabar, entrou um cara ótimo! Um tal de Torresmo, Tornero, Tolero, sei lá o nome do sujeito. O que eu sei é que ele avançou até a linha de fundo, passando bravamente por um menino de oito anos e uma menina de doze, cruzou para a área, teve um salseiro e marcaram pênalti. O Chico Buarque cobrou, marcou e logo apitaram fim de jogo.

Olha, Diário, achei tudo muito estranho. As pessoas cantavam o tempo todo, tinha bandeira vermelha por todo lado, as paredes estavam com umas pichações coloridas e, tanto no campo como na arquibancada, tinha uma mistureba dessas que a esquerda gosta. Jogou criança, mulher, velho, grosso, craque, gordo, magro, preto, branco, cabeludo, careca e até gente de muleta!

Meu Jesus Cristo da Goiabeira! É essa balbúrdia que a gente tem que combater.

@diariodobolso

*José Roberto Torero é autor de livros, como “O Chalaça”, vencedor do Prêmio Jabuti de 1995. Além disso, escreveu roteiros para cinema e tevê, como em Retrato Falado para Rede Globo do Brasil. Também foi colunista de Esportes da Folha de S. Paulo entre 1998 e 2012.

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