Jornalistas Livres

Clique para compartilhar o link do texto original

Liss Fernández

Há 12 dias ninguém ia imaginar que Chile mudaria para sempre. Tudo começou com o aumento das passagens do metrô. Os estudantes se juntaram e saíram para protestar pulando as catracas em grande parte nas estações do metrô de Santiago. Simultaneamente, os cidadãos foram chamados para o famoso “cacerolazo” (bater panela). Eram nove horas da noite e já dava para escutar o som do que seria o início da revolução por todas as ruas da capital.

A mídia, como era de supor, começou a difundir o pânico na população, falava-se de mercados saqueados e queimados, de falta de abastecimento e, inclusive, de vandalismo e assaltos a propriedades privadas. Mas a realidade era outra: armazéns e pequenos estabelecimentos comerciais não demostravam o Chile que estava sendo transmitido pela televisão. Feiras, alguns mercados e inclusive restaurantes funcionavam com total normalidade. E foi nesse momento que o Estado decidiu apagar o fogo com gasolina decretando “toque de recolher” em Santiago, militares nas ruas e helicópteros de madrugada “velando” pela segurança.

A “doutrina do choque” começou a se espalhar pela capital e, não contentes com isso, essas políticas foram implementadas nas outras regiões do país. Após dez dias do início das manifestações, o governo propôs vagas soluções para tranquilizar o povo, mas os chilenos, descontentes não aceitaram. As ruas estão manchadas de sangue inocente, as redes sociais explodindo com vídeos que mostravam abusos por parte da polícia e das forças armadas do Chile.

[...]

O governo se apropriou do maior protesto da nossa história, um milhão de pessoas marchando de forma pacífica, quando, na realidade, a gente já estava fazendo isso há dez dias. O Chile está cansado dessas políticas neoliberais, não queremos uma aposentadoria miserável, não queremos ter o primeiro lugar em suicídios de idosos na América Latina, não queremos um sistema de saúde no qual você morre esperando para ser atendido e ainda ter que pagar por isso, não queremos nos endividar para conseguir estudar, não queremos que sigam matando e destruindo nossos povos indígenas e, acima de tudo não queremos continuar com uma Constituição feita durante a ditadura militar. Nossos avós foram reprimidos com metralhadoras e não vamos aceitar que isso se repita. Tudo isso ficou conhecido no estrangeiro como ‘o protesto dos $30 pesos’, porém, a gente prefere dizer: CHILE DESPERTÓ.

O post O Chile despertou! apareceu primeiro em Jornalistas Livres.

Leia o texto completo em Jornalistas Livres