Rede Brasil Atual

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São Paulo – O ministro da Justiça, Sergio Moro, atendeu ao chamamento inconstitucional do presidente Jair Bolsonaro e enviou ao procurador-geral da República, Augusto Aras, pedido de instauração de inquérito para apurar as circunstâncias do depoimento do porteiro do Condomínio Vivendas da Barra, onde moram o presidente da República e o principal suspeito de matar a vereadora Marielle Franco (Psol-RJ) e o motorista Anderson Gomes, Ronnie Lessa. O porteiro contou à polícia do Rio de Janeiro que, horas antes do assassinato de Marielle, em 14 de março de 2018, o outro suspeito do crime, Élcio de Queiroz, entrou no condomínio e disse que iria para a casa do então deputado Jair Bolsonaro, de quem teria recebido autorização para entrar.

Os registros de presença da Câmara dos Deputados, porém, mostram que Bolsonaro estava em Brasília naquele dia. No documento enviado a Aras, Moro diz que o porteiro pode ter se confundido ou ter sido manipulado por terceiros para prejudicar o presidente. “É possível que o depoente tenha simplesmente se equivocado ou sido utilizado inconscientemente por terceiros para essas finalidades”, afirmou o ministro, em seu ofício à PGR.

No dia do crime, o porteiro trabalhava na guarita que controla os acessos ao condomínio. Às 17h10 da data do crime, o porteiro anotou no livro de visitantes o nome de quem pediu para entrar (Élcio), o carro (um Renault Logan), a placa (AGH 8202), e a casa que o visitante iria (a de número 58). Mais ainda, o porteiro afirmou que recebeu autorização do “seu Jair” para liberar a entrada de Élcio. Afirmou ainda que, depois que Élcio entrou, ele acompanhou a movimentação do carro pelas câmeras de segurança e viu que o visitante tinha ido para a casa 66 do condomínio, a casa onde morava Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle e Anderson. Tendo consultado novamente o “seu Jair”, ouviu que “sabia onde Élcio estava indo.”

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Para o jurista Pedro Serrano, entrevistado na manhã de hoje pela Rádio Brasil Atual, a conduta de Bolsonaro, ao acionar Sergio Moro para tomar novo depoimento do trabalhador, agora pela Polícia Federal, configura “crime de responsabilidade, passível de impeachment”. A conduta é gravíssima, dolosa, implica em obstaculizar investigação policial e utilizar a Polícia Federal para fins pessoais de defesa”, diz Serrano, em entrevista aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria.

O pedido de Moro à PGR foi imediatamente noticiada pelos portais da mídia tradicional e repercutiu também nas redes sociais. O jornalista Kennedy Alencar, por exemplo, postou: “Mais uma vez, Moro age como advogado de defesa de Bolsonaro. Desqualifica investigação que chegou ao nome do presidente no caso Marielle. Já julgou e absolveu Bolsonaro. Normalizar a atitude do ministro da Justiça é como as democracias morrem.”

O post Moro diz sim à interferência de Bolsonaro na Justiça e pede para investigar a investigação apareceu primeiro em Rede Brasil Atual.

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