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Três homens encapuzados que dizem ser do “Comando de Insurgência Popular Nacionalista da Família Integralista Brasileira” gravaram um vídeo, que começou a circular nas redes sociais nesta quarta-feira (25), reivindicando a autoria do ataque a bomba contra a sede da produtora do Porta dos Fundos, no Rio de Janeiro, na terça-feira (24).

Encapuzados e com as vozes distorcidas, os três homens aparecem em frente a uma bandeira do integralismo – vertente brasileira do fascismo – e atrás de uma mesa coberta com a bandeira do Brasil império. Eles afirmam que cometeram o atentado para “justiçar os anseios de todo povo brasileiro contra a atitude blasfema, burguesa e antipatriótica que o grupo de militantes marxistas Porta dos Fundos tomou quando produziu o Especial de Natal a mando da mega corporação bilionária Netflix”.

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De acordo com o trio, o objetivo do grupo de humor é “destruir nosso povo, nossa crença, nosso patrimônio imaterial com o intuito de nos enfraquecer, nos dividir e nos jogando uns contra os outros e espoliar nossas riquezas”

“A Justiça burguesa, covarde e corrupta, vendida para o grande capital, luta contra o povo, mas quando a Revolução Integralista vier, todos estarão condenados ao justiçamento revolucionário. Nós integralistas não renegaremos nosso papel histórico e nos incumbiremos de ser a Espada de Deus. A revolução é do espírito, o Brasil é cristão e jamais deixará de ser”, afirmam.

Ataque

Nesta terça-feira (24), dois coquetéis molotov foram lançados dentro do prédio da produtora do grupo humorístico Porta dos Fundos, no bairro Humaitá, no Rio de Janeiro. As bombas geraram enormes labaredas e, se não fosse um segurança que estava no local, que conteve as chamas, era provável que o local fosse incendiado.

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“Não vão nos calar! Nunca! É preciso estar atento e forte…”, disse o ator Fábio Porchat, um dos integrantes do Porta dos Fundos, logo após o atentado vir à público.

Imagens de câmeras de segurança do local mostram que ao menos três pessoas participaram do ataque. A polícia ainda tenta localizar os suspeitos.

Especial de Natal

O ataque à produtora do Porta dos Fundos aconteceu em meio à revolta gerada com o especial de Natal do grupo, lançado no início do mês e disponível na Netflix.

Bolsonaristas e fundamentalistas religiosos passaram a promover ataques virtuais a integrantes do grupo humorístico pelo fato de o especial de Natal por retratar, ironicamente, um Jesus Cristo homossexual.

A produção audiovisual chegou, inclusive, a ser alvo de petições e ações na Justiça.

Na última sexta-feira (20), uma juíza negou um pedido para que o especial de Natal fosse retirado do ar. “Seria
inequivocamente censura”, disse a magistrada.

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