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Da Redação

As candidatas fantasmas do PSL em Pernambuco voltaram a assombrar Jair Bolsonaro, de acordo com reportagem da Folha de S. Paulo deste domingo assinada por Camila Mattoso e Ranier Bragon.

Mariana Araujo, Érika Siqueira e Lourdes Paixão receberam R$ 781,6 mil em dinheiro público do fundo partidário mas não fizeram campanha em 2018.

Oficialmente, as duas primeiras foram candidatas do PSL a deputadas estaduais e Lourdes a deputada federal.

Em depoimento, elas disseram que compartilharam propaganda eleitoral com Jair Bolsonaro.

A Folha transcreveu trechos de depoimentos dados à Polícia Federal:

Era estratégia do partido a distribuição de material de campanha dos candidatos proporcionais que contivessem a imagem do candidato a presidente. Lourdes Paixão.

Por dia, aproximadamente um contêiner de material gráfico chegava e saía do comitê, para ser distribuído em todo o estado, pois todos os candidatos do partido produziram material para Jair Bolsonaro. Mariana Nunes.

Seu material [o de Érika] estava sempre atrelado aos candidatos Luciano Bivar e Jair Bolsonaro. Érika Siqueira.

O problema destes depoimentos para Jair Bolsonaro é que eles podem desaguar na Justiça Eleitoral.

Os argumentos para a cassação da chapa Jair Bolsonaro-Hamilton Mourão estão dados.

Embora Bolsonaro tenha instalado o filho Eduardo na presidência do PSL, ele ainda não tem o controle do partido.

[...]

Bolsonaro e um grupo de 23 parlamentares do partido acionaram a Procuradoria Geral da República para afastar Luciano Bivar da presidência e suspender os repasses do fundo partidário.

O PSL terá R$ 110 milhões para financiar as campanhas das eleições municipais de 2020 só em fundo partidário — sem contar o fundo eleitoral.

 Daí advém o perigo da denúncia das candidatas: elas foram escolhidas por Luciano Bivar, que afastado da presidência do PSL e sem acesso ao fundo eleitoral terá motivos para “se vingar” de Bolsonaro — ele e 19 parlamentares que correm o risco de serem suspensos por bolsonaristas.

O presidente tem a seu favor o fato de contar tanto com a PGR quanto com boa parte do aparato sob o ministro da Justiça Sergio Moro — o que ficou demonstrado no recente episódio do porteiro do condomínio Vivendas da Barra.

O filho de Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro, acessou um computador onde ficavam gravações entre a portaria do condomínio e as casas — não se sabe se era o único — antes que a própria perícia.

O próprio presidente da República diz ter obtido uma cópia das gravações, o que é um claro crime de responsabilidade, já que se trata de interferência indevida em investigações em andamento — o que pode ser classificado como tentativa de obstrução de Justiça.

O que impediria Carlos e o próprio Bolsonaro de, ao acessar o sistema ou sistemas, diretamente ou através de prepostos, de apagar ou renomear arquivos? Havia peritos monitorando o acesso particular feito por ambos?

O colunista Lauro Jardim informou em O Globo que o presidente Jair Bolsonaro mandou o ex-assessor de seu filho Flávio Bolsonaro destruir seu celular e comprar outro.

Jardim não deu a fonte.

Vazamentos recentes de áudios de Queiroz têm sido atribuídos ao próprio, sem que provas sejam apresentadas disso.

Num dos áudios, Queiroz reclama que estaria sem proteção do clã presidencial.

Embora Queiroz ainda seja uma testemunha com potencial explosivo contra o presidente, é mais provável que, se for a fonte dos áudios ou da informação publicada por Lauro Jardim, esteja apenas praticando extorsão.

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