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Da Redação

A decisão do governo Bolsonaro de abrir as licitações de compras públicas para empresas estrangeiras vai acabar de fazer o trabalho iniciado pela Operação Lava Jato, na opinião da presidenta golpeada Dilma Rousseff.

“Bolsonaro desfecha novo golpe contra empresas nacionais. Política de destruição do setor se aprofunda com abertura do mercado a empresas estrangeiras, anunciada pelo ministro da Economia, na Suíça. É a pá de cal no desmonte promovido pela Lava Jato na engenharia nacional. Pior.”, escreveu no twitter.

Dilma também reproduziu a notícia do diário Valor Econômico que dizia parcialmente:

“O Brasil está querendo entrar para a primeira divisão de melhores práticas. Isso é um ataque frontal à corrupção e um tema importante da campanha do presidente Bolsonaro”, disse Guedes, ao sair de seu primeiro compromisso na reunião anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos.

Questionado se a adesão não mina a capacidade do país de promover políticas industriais, com margens de preferência a empresas brasileiras nas compras governamentais, o ministro respondeu que o Brasil não pode ser “uma fábrica de bilionários à custa da exploração dos consumidores”.

Ela acrescentou o comentário: “O governo abre mão de ter uma política de compras públicas que leve em conta os brasileiros. A concorrência pode estrangular diversos setores empresariais.”

Apesar da decisão, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, publicou artigo na Folha de S. Paulo reafirmando seu apoio ao presidente Jair Bolsonaro.

A Fiesp é a maior entidade representativa de industriais do Brasil.

[...]

Articulou e financiou o golpe cívico-militar de 1964, a repressão e agora é acusada de facilitar a ascensão do fascismo.

Skaf foi criticado por ajudar a organizar em São Paulo a Aliança pelo Brasil, novo partido de extrema-direita que dará sustentação a Bolsonaro.

Em seu artigo na Folha, ele escreveu: “Apoiamos o governo Bolsonaro? Sim. Ele promove a agenda econômica que sempre defendemos, de controle de gastos públicos, reformas estruturais, redução de juros, desburocratização… Bolsonaro colocou o país no rumo certo e tem dado demonstrações concretas de estar comprometido com o crescimento e com a geração de empregos.” 

Críticos dizem que Skaf está usando a Fiesp e Bolsonaro para cacifar sua própria carreira política. Ele pretende ser governador de São Paulo e poderia tentar alcançar o Palácio dos Bandeirantes em dobradinha com Bolsonaro em 2022.

Uma recente pesquisa do instituto MDA, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria, mostrou Bolsonaro com 29,1% de menções espontâneas, quase o dobro do ex-presidente Lula, que apareceu com 17%.

A pergunta da pesquisa foi: “Ainda faltam três anos para as eleições presidenciais de 2022. Mas, caso as eleições fossem hoje, em quem o sr. votaria?”

Embora seja um golpe na indústria e na engenharia nacionais, a decisão de Paulo Guedes agrada em cheio ao capital internacional, num momento em que o governo Bolsonaro é alvo de críticas globais pelo episódio do vídeo nazista do ex-secretário de Cultura Roberto Alvim e pelo anúncio de que abrirá mineração em terras indígenas.

Quanto ao fato de que o protecionismo seria prejudicial aos consumidores brasileiros, trata-se de um mito.

O escritor Ha Joon Chang tratou disso em seu livro O Mito do Estado Mínimo, como destacou o nosso leitor Nelson, que recomendou o vídeo abaixo:

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