Viomundo

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Da Redação

A denúncia foi disseminada no twitter pelo jornalista Leandro Demori, do Intercept, que sugeriu o afastamento imediato da promotora Carmem Eliza Bastos de Carvalho de qualquer procedimento relativo à investigação.

Carmen participou da entrevista coletiva em que o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro desmentiu o porteiro do condomínio Vivendas da Barra, onde o então deputado federal Jair Bolsonaro era vizinho de rua C do miliciano Ronnie Lessa, acusado de puxar o gatilho e matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes na noite de 14 de março de 2018.

Em 2018, Carmen vestiu a camisa de Jair Bolsonaro e celebrou nas redes sociais a vitória do ex-capitão do Exército:

“O Brasil venceu! Libertos do cativeiro esquerdopata”.

Reprodução do Instagram

Em 30 de setembro deste ano, por iniciativa do deputado estadual Delegado Carlos Augusto (PSD), a promotora recebeu a Medalha Tiradentes na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

“Sempre tive certeza de que a minha árdua tarefa de vida seria o combate aos criminosos, que acabam com a paz no Rio de Janeiro”, discursou ela no plenário da Alerj.

Na ocasião, ela posou para foto ao lado do deputado Rodrigo Amorim (PSL), que se elegeu depois de rasgar a placa que simulava homenagem à vereadora Marielle Franco, em evento que contou com a presença do então candidato ao governo do Rio, Wilson Witzel.

Carmen e Amorim, o deputado que rasgou a placa de Marielle

As relações entre Witzel e os Bolsonaro estão estremecidas no Rio.

O rompimento se deu por causa das pretensões presidenciais de Witzel.

Bolsonaro acusou o atual governador de tramar com a TV Globo para vazar informações de um inquérito sigiloso no Jornal Nacional.

A Globo, ameaçada de ter a renovação de sua concessão questionada em 2022, recuou.

O porteiro ficará sujeito à Lei de Segurança Nacional.

Ele anotou corretamente o nome do visitante e a placa do automóvel.

[...]

Teria errado só o número da casa, a 58, de propriedade de Jair Bolsonaro?

O porteiro errou só o número da casa?

Em depoimentos, o porteiro disse que pediu duas vezes autorização por telefone a “seu Jair” comunicando a presença de Élcio Queiroz, acusado pela polícia civil do Rio de dirigir o automóvel de onde foram disparados os tiros que mataram Marielle e Anderson.

Élcio entrou no condomínio e encontrou-se com Ronnie Lessa, o vizinho de Bolsonaro suspeito de ser traficante de armas — com um parceiro dele, a polícia encontrou 117 fuzis.

Os dois teriam deixado o condomínio para cometer os assassinatos, sempre segundo a investigação. O MPE-RJ mantém esta versão para o crime, mas a defesa de ambos já fala em tirá-los da prisão — informou nesta quinta-feira a repórter Monica Bérgamo na Folha de S. Paulo.

Jair Bolsonaro era deputado federal quando o crime aconteceu.

O filho mais novo dele, Jair Renan, teria tido um namorico com a filha de Ronnie Lessa — ainda assim, Bolsonaro alega que não conhecia Lessa, nem Élcio, que postou uma foto ao lado do deputado nas redes sociais.

O porteiro será investigado por supostamente mentir a respeito do presidente da República.

O nó do caso continua sendo a anotação “58” que o porteiro fez na planilha: o número foi adulterado? Élcio deu o número errado ao porteiro? Deveria ter dito 65 (número da casa de Ronnie Lessa) mas disse 58?

Que criminosos combinam um assassinato partindo da casa de um deles e deixando rastros pelo caminho?

Élcio pretendia incriminar Bolsonaro mancomunado com o porteiro, em nome de alguma milícia concorrente do grupo de Fabrício Queiroz?

São muitas perguntas ainda sem resposta, na complexidade do submundo da política do Rio de Janeiro.

O que se sabe com certeza é que uma das promotoras do caso, que não teve grande protagonismo na entrevista coletiva mas apareceu de surpresa, é bolsonarista de carteirinha.

Talvez um aviso de que vai ficar “tudo bem”. Talvez.

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